Número de idosos em abrigos aumenta 33% em cinco anos

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O número de idosos em abrigos conveniados aos estados e municípios brasileiros cresceu de 2012 até 2017, 33%, passando de 45.827 pessoas para 60.939, conforme levantamento do Ministério de Desenvolvimento Social.

Em Jundiaí, por exemplo, a Cidade Vicentina Frederico Ozanam, uma das entidades que acolhem idosos, confirma que que a procura por vagas vem aumentando nos últimos anos.

De acordo com a administradora Denise Amorim, a instituição acolhe atualmente 80 idosos, sendo 32 conveniados pela Prefeitura de Jundiaí, através de um termo de colaboração, e o restante é ocupado por vagas sociais, fornecidas pela entidade. “A Cidade Vicentina conta com uma lista de espera desde 2013, que ano após ano tem aumentado até 2018”, explica. Segundo ela, em 2015 eram 12 idosos na fila de espera por uma vaga na entidade. Neste ano, já são 67.

A entidade também possui outro convênio com a prefeitura, conhecido como Centro-Dia (creche), com abrangência de 30 vagas, que está com lotação máxima. Questionada sobre os motivos que leva a institucionalização na entidade, Denise afirma que preferencialmente se acolhe o idoso que tem o vínculo familiar rompido ou que não possui família próxima.

Como o caso do aposentado Milton Miguel, de 75 anos, que vive na Cidade Vicentina há cinco anos. Sua filha, a estudante Ana Paula, 39, conta que perdeu o vínculo com o pai quando tinha apenas três anos de idade e só recuperou o contato aos 34 anos. No entanto, sem poder cuidar dele sozinha, acabou optando por institucionalizá-lo.

“Tenho um filho de seis anos que é uma criança especial e que requer cuidado integral. Minha vida é dedicada para ele e também ao meu pai, que visito a cada 15 dias aqui”, disse, na quinta-feira (5), durante a última visita ao pai.

Milton, por sua vez, não reclama e diz que sua vida na entidade é tranquila. “Gosto de viver aqui, pois sou bem tratado, faço amizades, converso o dia todo e consigo fazer as minhas refeições no horário”, descreve.

A Cidade Vicentina oferece atendimento médico, acompanhamento nutricional, fisioterapia, terapia ocupacional, psicóloga, equipe técnica de enfermagem e cuidadores. “Temos uma equipe multidisciplinar para acompanhar o idoso e proporcionar uma vida mais digna, através de passeios, atividades físicas, além de oficinas de artesanato e pintura”, frisa a administradora.

PREFEITURA

Além da Cidade Vicentina, a prefeitura de Jundiaí mantém parceria, por meio de termo de colaboração, com outras duas instituições de longa permanência para idosos (ILPI): o Lar Nossa Senhora das Graças (43 vagas) e Casa de Repouso Shangrilá (6).

A Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social afirma que o acolhimento em ILPIs estão dentro da Proteção Social Especial e que os casos são avaliados pelas equipes de saúde, além do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e Centro Pop.

Também ressalta que não há fila de espera para o acolhimento e que trabalha com vagas de reserva, sendo que grande parte dos atendimentos têm caráter emergencial.

Fonte: Jornal de Jundiaí