Nova metodologia ajuda pacientes em centro de reabilitação de Taguatinga

Foto: Matheus Oliveira/ Saúde-DF
Foto: Matheus Oliveira/ Saúde-DF

Foto: Matheus Oliveira/ Saúde-DF

Quem vê os pequenos Davi, de 3 anos, e Pedro, de 6 anos, brincando juntos na salinha de estimulação do Centro Especializado em Reabilitação II, em Taguatinga, nem imagina que até pouco tempo atrás eles sequer percebiam a existência um do outro no mesmo ambiente. Diagnosticados com autismo, eles estão há cerca de quatro meses em tratamento na unidade, que passou a adotar um novo método de trabalho com esse tipo de paciente.

“Até o ano passado, o paciente era atendido separadamente com cada profissional e de forma individual. Depois de muito tempo tentando um novo jeito de trabalhar, conseguimos formular um projeto de atendimento interdisciplinar, em que todos os profissionais da equipe atendem juntos o mesmo paciente, envolvendo os pais e colocando várias crianças em contato durante a terapia”, explica a fonoaudióloga do CER II, Leila Kato.

Dentro da nova perspectiva, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e psicólogo trabalham em conjunto, atendendo um público que vai de 2 a 20 anos de idade, com enfermidades como autismo, paralisia cerebral e dificuldades de aprendizagem. O primeiro atendimento, porém, é com os pais dessas crianças e adolescentes.

“Muitos deles ficam em choque quando recebem o diagnóstico da doença e não sabem como lidar com os filhos dentro de casa. Assim, promovemos oito palestras, uma a cada 15 dias, para orientá-los quanto aos assuntos que envolvem esse universo da doença”, conta a fonoaudióloga.

Segundo a neuropediatra Regiane Benetiz Leal, também do CER II, a adesão dos pais é de extrema importância para o sucesso da terapia. “As crianças não ficam o tempo todo conosco. Então, é muito importante que os pais continuem em casa o que fazemos aqui”, explica.

Isso tem dado certo na casa do Davi. O pai, Adailton Vieira, conta que há uma boa troca entre ele e a equipe do centro de reabilitação. “O que temos de dúvidas e problemas em casa, trazemos para cá e eles trabalham para melhorar e nos orientam a continuar os exercícios em casa”, conta.

O mesmo tem acontecido com Pedro, de 6 anos. “Ele evoluiu bastante. Já está frequentando a escola e na semana que vem vai até dançar quadrilha na festa junina”, empolga-se o pai do pequeno, Fábio da Silva Leite.

ABORDAGEM – O tratamento é diferenciado para cada paciente, de acordo com as características. “Depois das palestras com os pais, iniciamos a terapia com os pacientes, com um total de dez encontros. E tentamos separar os pacientes por grupos, colocando juntos aqueles com comportamentos semelhantes”, observa Leila.

Segundo a profissional, o objetivo da terapia é preparar o paciente para o convívio social. “O maior problema de quem tem autismo, por exemplo, é não conseguir se comunicar. Então, trabalhamos isso”, diz.

E esse era um dos maiores problemas enfrentados pela mãe de Gustavo Neves Rosa, 10 anos, a dona de casa Rosilene Neves da Guarda. “Ele não entendia o que eu falava e não me obedecia. Então, ficava muito agitado e eu não sabia mais o que fazer. Agora, ele já consegue entender o que falo e isso facilitou bastante”, conta ela, afirmando que menino adora o dia em que vai para o centro de reabilitação.

Desde janeiro deste ano, quando o novo método de trabalho foi implantado, 70 crianças já foram atendidas. “Ainda não conseguimos quantificar, mas é perceptível que estamos conseguindo atender um número maior de pacientes por mês, já que ele recebe atendimento integral a cada vez que vem ao centro”, observa Leila.

Confira aqui as fotos.

Fonte: Agência Saúde