Fundação de Bill Gates patrocina projetos na área de Ciência

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Da Redação

Em parceria com o Ministério da Saúde e CNPq, Fundação já investiu 4,8 milhões de reais em centro de dados e vai investir mais 3,3 milhões de reais em projetos inovadores na área

 

A Fundação Bill & Melinda Gates, em parceria com o Ministério da Saúde e o CNPq, lançou nesta semana o primeiro Grand Challenges Explorations (GCE) exclusivo para pesquisadores brasileiros. O tema desta edição é “Ciência de dados para melhorar a saúde materno-infantil no Brasil”.  A chamada busca propostas inovadoras que utilizem ciência de dados e modelagens para entender os principais fatores que impactam a saúde materna e o desenvolvimento infantil no Brasil. A ideia é que os projetos financiados ajudem os gestores a definir melhores políticas públicas e intervenções nessa área.

Esta é a segunda vez que a Fundação Gates, o Ministério da Saúde e o CNPq investem no potencial de pesquisadores e inovadores brasileiros em gerar dados relevantes em saúde para informar políticas públicas. Em 2015, aproximadamente 4,8 milhões de reais foram destinados  para a criação e manutenção do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) até 2020. Nesta chamada, o Cidacs, instituição de pesquisa ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e sediada em Salvador, vai disponibilizar informações anonimizadas geradas a partir da vinculação de quatro bases de dados (cadastro único,  mortalidade, nascimentos e do programa bolsa família) para pesquisadores financiados pelo Grand Challenges Explorations Brasil. A ideia é que os pesquisadores trabalhem em parceria com o Cidacs.

No Cidacs, o pesquisador pode acessar informações anonimizadas de mais da metade da população brasileira, oriundas da vinculação das seguintes bases de dados: Cadastro Único (CadUnico), Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e Programa Bolsa Família. A vinculação dessas informações constitui a base da Coorte de 100 milhões de brasileiros, plataforma de estudos de acompanhamento por meio da qual é possível avaliar o impacto de políticas públicas nas condições de saúde da população, inclusive de crianças e mulheres, foco desta chamada do GCE..

Atualmente, há mais de 20 projetos no Cidacs que tem por base a Coorte de 100 milhões de brasileiros. Entre elas, estão estudos que avaliam o impacto de programas sociais, como o Bolsa Família, em indicadores como: mortalidade em crianças menores de 5 anos, mortalidade materna, ocorrência de gravidez na adolescência ou do nascimento de bebês prematuros ou com baixo peso. Ao disponibilizar um grande volume de informações socioeconômicas, demográficas, de condições de habitação e saneamento, e outras informações sobre a frequência aos serviços de saúde, como consultas de pré-natal, a coorte potencializa a análise dos impactos das políticas sociais na saúde. “Com a Coorte é possível  acompanhar indivíduos ao longo do tempo e analisar as relações causais”, explica a pesquisadora do Cidacs, Dandara Ramos.

O GCE para brasileiros é resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) e a Fundação Bill & Melinda Gates (BMGF). A parceria busca soluções em 17 temas, que variam de ferramentas para identificação de riscos ao desenvolvimento infantil a avaliações do impacto de intervenções e programas sociais na saúde materno-infantil.

Desde 2009, 14 projetos brasileiros foram apoiados pela iniciativa Grand Challenges Explorations em chamadas abertas para pesquisadores do mundo todo. Além do financiamento de 100 mil dólares da Fundação Gates, os brasileiros podem receber nesta chamada um adicional de 25% a 50% do valor total das FAPs de seus estados. O professor de Obstetrícia da Universidade Estadual de Campinas, José Guilherme Cecatti, foi o mais recente pesquisador financiado pelo GCE. Ele pretende testar, pela primeira vez, se a atividade física e os padrões de sono durante a gestação têm relação com complicações como o diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e parto prematuro. “O grande diferencial é que o GCE aposta na ideia que você está apresentando de algo que pode dar certo, sem a necessidade de ter um projeto completamente desenvolvido para submissão”, diz Cecatti. “Se for selecionado, o pesquisador terá a oportunidade de discutir com outros inovadores do mundo todo que estão desenvolvendo ideias similares em grandes encontros internacionais”.

As inscrições para o Grand Challenges Explorations começam no dia 5 de março e vão até 2 de maio. Qualquer pessoa pode enviar projetos. Não é necessário ser mestre, doutor nem anexar currículo, referências ou resultados prévios. A seleção é baseada exclusivamente na qualidade da proposta, que deve ser inovadora, e no seu potencial para resolver grandes desafios globais. São aceitos projetos de candidatos de qualquer área ou organização, incluindo universidades, laboratórios, institutos de pesquisa, ONGs e empresas privadas. Para participar, basta descrever sua ideia em duas páginas em inglês com uma cópia em português.

Para mais informações sobre como enviar projetos: https://goo.gl/Gsc6aa

 

 

Fonte: Rebrats