Especialistas defendem ampliação de cobertura dos planos de saúde

Mário Scheffer criticou os altos lucros dos planos de saúde em 2016. Foto: Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados
Mário Scheffer criticou os altos lucros dos planos de saúde em 2016. Foto: Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados

Mário Scheffer criticou os altos lucros dos planos de saúde em 2016. Foto: Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados

A Comissão Especial dos Planos de Saúde realizou audiência pública nesta quarta-feira para discutir alterações na legislação (Lei 9656/98) que rege o setor. A comissão analisa o PL 7419/06 e 139 apensados.

Segundo a professora Lígia Bahia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nenhuma dessas propostas prevê redução de cobertura e, sim, atendem aos anseios da sociedade por planos que garantam atendimento adequado.

Ela defendeu que a revisão da lei deve ser feita para ampliar a cobertura dos planos de saúde. “Se essa lei for revista ela deve ser revista para de fato fazer o ressarcimento do SUS. E se essa lei for revista, ela deve garantir direito para as populações que são mais vulneráveis a perder plano, como gestantes, desempregados, aposentados, etc.”

O professor do Departamento de Saúde Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Mário Scheffer, informou que as 780 empresas de saúde privadas que atuam no Brasil lucraram no ano passado R$ 161 bilhões.

Mas o representante da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, José Cechin, rebateu a informação, afirmando que os custos das operadoras são muito altos e normalmente sobem acima da inflação.

“Por que cresceram as receitas dos planos de saúde mais do que os de outros setores? Cresceram porque as despesas cresceram. As operadoras, para elas poderem sobreviver e terem seus lucros que é normal em toda atividade capitalista, elas precisam repassar. E qual o problema que elas enfrentam? A dificuldade de repassar. Nos individuais pelo controle do governo e nos coletivos porque as empresas dizem: ‘não aguento, não consigo, interrompo’ e saem de um plano top para um plano menor.”

Direitos
O presidente da comissão, deputado Hiran Gonçalves (PP-RR), afirmou que a comissão está trabalhando de maneira a garantir que os direitos dos consumidores sejam resguardados. “Estamos tendo muito cuidado em trazer todas as entidades aqui, usuários, médicos, os planos de saúde, para nós saímos com um relatório que vá ao encontro das aspirações dos entes que estão inseridos nessa questão.”

A comissão se reúne na terça-feira (04/07) para ouvir representantes do Conselho Federal de Medicina, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde Salomão Rodrigues Filho, e da Associação Nacional dos Hospitais Privados.

Fonte: Karla Alessandra/Agência Câmara de Notícias