Brasil terá menos tempo e recursos para enfrentar envelhecimento da população, dizem especialistas

Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
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A primeira edição do fórum interativo da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa fez um panorama sobre o atendimento à saúde no Brasil, tanto na rede pública quanto em relação aos planos de saúde, diante da mudança no perfil demográfico brasileiro.

Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

Uma das conclusões é que a população com mais de 60 anos está crescendo em um ritmo muito acelerado, dando ao Brasil um tempo menor do que outros países para enfrentar o envelhecimento, e com menos recursos.

A professora Andréa Faustino, do Departamento de Enfermagem da Universidade de Brasília, lembrou que a longevidade maior traz também uma maior incidência de doenças crônicas, como hipertensão, câncer e demências.

Ela salientou que as deficiências no sistema público de saúde começam na atenção básica. “A gente tem deficit na quantidade de profissionais, na estrutura física, nos equipamentos e na rede de exames complementares, o que dificulta muitas vezes diagnósticos precoces de muitas doenças que poderiam ser tratadas nesse nível de atenção à saúde”, afirmou Andréa.

Mudança no atendimento
Já a representante da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Michele Rangel, ressaltou que muitos problemas são comuns à rede pública e privada. Ela disse que a mudança nos padrões de adoecimento decorrentes do envelhecimento da população não foi acompanhada por uma mudança no atendimento de saúde.

Ela também criticou o modelo de remuneração dos profissionais, que segundo ela não ganham pela qualidade do tratamento, mas pelo número de procedimentos realizados. “Isso gera um descompromisso com o resultado, um descompromisso com a qualidade e desperdício de dinheiro.”

Durante o fórum, Michele apresentou o Projeto “Idoso Bem Cuidado”, da ANS, um programa piloto de acolhimento e de atenção integrada no cuidado aos idosos que já conta com a adesão de 66 planos de saúde de todo o País.

Avanços tecnológicos
A deputada Creuza Pereira (PSB-PE), que tem 81 anos e participou do fórum por teleconferência, comemorou os avanços tecnológicos em saúde que permitem o aumento da longevidade.

“A gente vai podendo ser um idoso ativo, guardar a alegria de viver enquanto for possível, e não ser um peso tão grande para aqueles com quem nós vamos trabalhar”, ressaltou.

Acessibilidade
A próxima edição do fórum interativo da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa vai ser no final de setembro e vai tratar de dois temas: Acessibilidade e Cidades Amigas do Idoso.

Fonte: Agência Câmara de Notícias