Brasil 2019: moradores de João Pessoa(PB) querem proibir deficientes de irem à praia

Bairro Cabo Branco, João Pessoa-PB

Bairro Cabo Branco, João Pessoa-PB

Bairro Cabo Branco, João Pessoa-PB

O argumento dos ‘incomodados’ é que levar deficientes para a praia tira a beleza de um bairro nobre da cidade

A praia costuma ser um lugar democrático, onde é possível presenciar e enxergar a diversidade. As areias não fazem diferença de classe social, cor, etnia, origem, gênero. Inclusive os animais são bem-vindos. Tudo isso se não for na praia de Cabo Branco, bairro nobre da cidade de João Pessoa, na Paraíba, onde moradores querem proibir pessoas com deficiência de frequentarem o espaço público.

O “incômodo” da elite, representada por 5 (cinco) senhoras idosas chegou até o gabinete da vereadora Helena Holanda (PP), uma das autoras do projeto “Praia Acessível”, uma iniciativa inclusiva que leva, todo sábado, pessoas com deficiência para participarem de atividades com música e esporte na orla da praia.

Na última terça-feira 20, Holanda foi procurada por moradores do bairro, que pediram para a parlamentar proibir os deficientes de frequentarem a praia. Eles estavam incomodados, segundo relatou Helena, por se tratar de área ilustre da cidade, lugar de pessoas bem criadas, que a orla do Cabo Branco foi criada por pessoas de renome e que o projeto não estaria trazendo um “quadro belo” para a vizinhança.

Em entrevista ao canal Mais PB, nesta quinta-feira 22, a vereadora garantiu que o projeto não será retirado do local em hipótese alguma, e que, caso as pessoas estivessem incomodadas, podiam se mudar para outro bairro.

Helena Holanda anunciou ainda que vai ampliar o programa, com o aval da prefeitura de João Pessoa, e que vai levar ao Ministério Público a denúncia de discriminação de moradores contra os deficientes. “Me inspirou mais ainda na luta pelas pessoas com deficiência”, afirmou Helena.

Este fim de semana será de praia e protesto em João Pessoa. Em meio a mobilizações de pessoenses com a notícia divulgada na quarta-feira (21) de que moradoras do bairro do Cabo Branco queriam impedir a ida de deficientes à praia por ser uma região nobre e acabar deixando o espaço feio, um ato público em repúdio ao ocorrido foi marcado para este sábado (24)

Genilson Lima, coordenador do “Acesso Cidadão”, um dos programas que lidera e organiza o “Praia Acessível”, emitiu uma nota de repúdio por meio das redes sociais sobre o fato, convidando toda a população a um ato público em protesto, que acontecerá neste sábado (24), a partir das 8h30. “De forma pacífica e simbólica, com um abraço solidário e em contraponto à denúncia”, comentou Genilson.

 

Fontes: Carta Capital; OP9